Relação entre Respiração, Bem-Estar e Stress

A maioria de nós não presta atenção a própria respiração. Inspiramos e expiramos de forma automática, sem consciência de seu efeito imediato em nosso corpo e mente.

Durante a infância respiramos plenamente com o ventre relaxado, e essa respiração ampla se propaga por todo o corpo. Com o tempo começamos a ficar expostos ás pressões do ambiente, expectativas familiares e sociais, etc. Nesse contexto a respiração vai perdendo seu movimento espontâneo e livre e, de forma inconsciente, sendo alterada em resposta aos estímulos externos e também ás tensões internas, que começam a surgir. No oriente foi sempre dada grande importância a respiração, tendo sido entendido sua estreita conexão com a saúde do corpo, da mente e do espírito. A partir dessa compreensão extraída de um nível muito profundo de conexão interna, foi desenvolvida toda a sabedoria das práticas de pranayanas.

Atualmente no ocidente têm sido feita muita investigação e comprovação que atestam que a qualidade de nossa respiração – verificada através de seu ritmo e profundidade -, tem impacto sobre nossa psicofisiologia.

Qualquer estado mental e emocional interfere de imediato em nossa respiração. Quando nos sentimos estressados uma resposta fisiológica automática é dada através da ativação do Sistema Nervoso Simpático, alterando o ritmo de nossa respiração, que passa a ser rápida e menos profunda. Isso poderá ir consolidando um padrão de hiperventilação, normalmente a nível de respiração peitoral ou toráxica. Essa alteração na respiração se reorganiza quando ocorre em um curto espaço de tempo. Porém, quando esse tipo de respiração mantém o Sistema Nervoso Simpático ativado por longo tempo, essa respiração acelerada e curta torna-se a habitual, ainda que a situação de pressão não exista mais. Esse tipo de respiração continua enviando sinais ao cérebro alertando-o que existe uma situação de stress, o que pode não estar acontecendo mais.

Por outro lado, a respiração abdominal ou diafragmática é uma das técnicas mais eficazes para diminuir os níveis de ansiedade, enviando ao cérebro a informação de que fique tranquilo porque estamos no controle da situação. Essa respiração mais lenta e calma, controlada pela contração e expansão rítmica do diafragma estimula a ativação do Sistema Nervoso Parassimpático, referente à respostas de relaxamento.

É importante treinar essa respiração abdominal ou diafragmática regularmente, não apenas em momentos de stress e pressão, porque será muito mais fácil utilizá-la quando necessária devido ao treino, porque o corpo e a mente terão registrado esse movimento.

A respiração abdominal favorece os processos fisiológicos que promovem a recuperação do equilíbrio homeostático do organismo, alterado pelas pressões diárias.

Se a respiração for agitada, rápida e irregular nos sentiremos ansiosos, acelerados, estressados. Se a respiração for ritmada, ampla e calma nos sentiremos em um estado de serenidade.

Alguns exercícios podem desenvolver a consciência de sua respiração e ajudar muito a melhora-la de forma consistente; outros podem ajudar a equilibra-la em momentos de emergência.

No próximo artigo ensinarei esses exercícios.

Berenice Kuenerz – Coach / Psicoterapeuta / Consultora em Mindfulness